quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MEU PAI







Meu pai era um homem misterioso. Muito silêncio, poucos olhares, mas um sorriso largo e contido que encantava a todos. Parecia que vivia a vida que escolhera, ao mesmo tempo em que demonstrava sempre uma amargura que denunciava sua insatisfação com a vida.
Nossa relação sempre foi ambígua. Não gostava do controle que exercia sobre mim, mas gostava dos seus talentos. Era um homem que andava pelos campos te dando todo tipo de sementes e folhinhas para comer e chamando os passarinhos usando os vários "pios" que colecionava.  Sabia o nome de todos os pássaros e de todos os animais viventes na Terra ou em qualquer outro planeta do sistema solar.
Construía suas casas e plantava suas árvores. Em uma das fazendas, construiu uma casa rodeada pelo pomar mais interessante que se possa imaginar. Conforma as árvores cresciam, ele construía mais um andar para que pudesse ver toda a fazenda por cima da copa das árvores e correr a tempo de apagar os vários incêndios que ocorriam no inverno. Tinha tantas habilidades que era impossível não ficar fascinada. Tudo parecia tão fácil para ele, sempre tinha um jeitinho para tudo. Com um simples elástico era capaz de prender um universo inteiro. Vejo-o hoje em dia, em mim e na minha irmã. Nós também somos poderosas, somos muitas, mas a diferença é que ainda não aceitamos isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário