As Jabuticabeiras me acompanham pela vida a fora. Juntamente com as mangueiras, eram minhas plantas preferidas em todo o mundo. Em diversas fases marcantes da vida, lá estavam seus frutinhos, gordinhos e atraentes me chamando.
Na casa da vovó, havia 3 pés enormes. Ou será que eu que era tão pequenina?
Em baixo de cada um deles, havia um banco de pedras muito confortável. Sob o banco do meio morava um de nossos jabutis. Eles também eram três mas apenas um se deliciava com aquela sombrinha gostosa. Sombra que sempre nos acolhia depois das corridas de bicicleta, ou após o queimado, um dos meus jogos preferidos.
Gostava de me sentar ali, comer aquelas delícias até estourar pensando na vida:
De que brincaríamos à tarde?
Quantas galinhas livraríamos do galinheiro para que pudéssemos "laçar o gado" com nossas longas cordas e velozes cavalos de vassoura.
Onde teria se enfiado o Petit e a Pois, nosso casal de cachorrinhos?
Será que minha irmã me emprestaria o arcodeão para eu brincar de secretária?
Onde será mesmo que deixei o lápis vermelho, o meu preferido de toda a coleção de lápis pequenininhos.
Quando será que a mamãe virá nos ver. Será que ficará bastante tempo para que eu mate um pouquinho as saudades que me acordam todas as noites?
Pois é, as Jabuticabeiras eram quase amigas. Eram tão importantes que anos atrás herdei uma série de fotos dessa época e em cada uma delas aparecia uma das Jabuticabeiras. Nas fotos, elas tomavam conta de meu avô e sua inseparável bengala, dos tios e tias, dos primos e até de mim, com aquela carinha sorridente e sem dentes que escondia tantos mundos.