Falando em banhos, me lembro de um dos melhores e mais sujos de todos.
Um banho da minha filha aos 3 anos. Banho de lama!
Em uma decisão muito controversa me mudei de mala e cuia para uma cidade do interior. Não com o apoio da família ou dos amigos. Alguém até chegou a me dizer que as pessoas têm direito de fazer três grandes burradas na vida e que eu esta prestes a dar início às minhas. Parece que todos sabiam o que eu não conseguia ver. Não daria certo! Por lá passei menos de 18 meses.
Transferimos nossa casa, abrimos um negócio, a criança mais linda deste mundo nasceu e antes de seus nove meses de idade, eu já estava pronta para voltar. Pronta não, desesperada. À época eu achava que estava vivendo um pesadelo, a pior situação de todas. Ah, eu não sabia de nada!
Minha menina nasceu nessa cidade que somava os defeitos de uma cidade pequena e os de uma grande, mas uma coisa não se discute. Os dias de farra eram ótimos. Todos acreditavam que as crianças são fortes, que os micróbios, tombos e arranhões são a melhor escola, e que o que não mata, com certeza engorda. As crianças corriam livres e aprontavam todas sob o olhar discreto da família.
Durante uma de nossas muitas voltas à cidade, fomos ao clube de campo para comemorar um aniversário. Era um quentíssimo dia de verão, após uma "chuvarada" daquelas. A "primalhada", com idades similares brincava com água e baldinhos coloridos. Uma brincadeira simples que se transformou em um delicioso e completo banho de lama.
Os pais felizes olhavam uns aos outros com olhar de quem pode a qualquer momento entrar na brincadeira e os pequenos nos olhavam como quem pode sair da brincadeira imediatamente, urgentemente, ou não.
Muitas fotos, gritinhos e guerra de lama entre carinhas de prazer e nojo. As crianças dançarinas bailaram imundas e cheias de graça.
Para coroar o dia, um comportado banho de mangueira e muitos, muitos beijinhos dos pais orgulhosos pela audácia de todos.
Um momento para se guardar no fundinho do coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário