Domingo à noite, o pesadelo dos pesadelos!
Eu aqui sentada chorando por tudo, pelo o que foi e pelo o que é.
Espero minha filha chegar de viagem e já me sinto como ontem, entro no túnel do tempo. Uma onda de tristeza vem chegando e me alcança com um soco. Lembro-me! Ando me lembrando de tudo e assim, sinto tudo mais uma vez. Sinto-me chegando em casa sozinha, no escuro, no silêncio, numa casa vazia. Vazia de tudo, vazia de tudo!
Era assim que eu vivia, sozinha... Quando pequena minha mãe dizia que ao contrário de minha irmã que dava muito trabalho, eu ficava quietinha no meu canto horas a fio. Com certeza, foi aí que aprendi que se ficasse quieta, talvez ela gostasse um pouco de mim, talvez ela me aceitasse. Não fui autista por pouco de tanto que gostava dela. Nunca soube bem porque, nunca conseguir entender claramente. Talvez eu visse algo mais, por trás daquela distância, talvez eu visse sua própria dor e sentisse pena dela. Às vezes acho que é isso. Gosto dela não pelo que ela me deu, mas pelo que ela não deu. Pelo que ela não pode ser de tanta dor que a acompanhava. Essa compreensão não deveria me deter. Não deveria me impedir de odiá-la por tudo que fez e que não fez, mas, me rendo, sempre me rendo a ela. Mesmo depois de morta, ela vive sua tristeza em mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário