quarta-feira, 1 de setembro de 2010

AS ROLINHAS







Vivíamos em uma enorme casa na zona sul do Rio de Janeiro. Lá convivíamos com uma grande variedade de animais.
Dentre os nativos da área, havia as Rolinhas, minhas queridas Rolinhas! Tão elegantes apesar de suas barriguinhas roliças e perninhas curtas.
Sempre gostei muito delas porque vivem sempre aos pares, o que indica bom caráter e natureza dócil.
Sentadinha no alambrado de uma das janelas do meu quarto, gostava de observá-las. Como era simples aquela vidinha calma. Nada de saudades, nada de medo, nada de nada. Ah, que inveja!
Nunca encontrei nenhum de seus ninhos, um mistério! Para onde iam quando batiam asas e saíam lá de casa? Onde dormiam, onde construíam os ninhos para seus filhotes.
Nos dias chuvosos me preocupava um pouco com elas, mas no fundo tinha certeza de que estariam provavelmente melhor do que eu!
Seus olhinhos redondinhos de bola de gude eram meigos e por vezes pareciam conter toda a inteligência do mundo. 
Elas viviam ali, naquele momento, nada mais. Não existia mais nada , além daquela terra macia cheia de minhocas gordinhas, daquela água fresquinha do tanque dos peixes, da sobra refrescante das três Jabuticabeiras, das Mangueiras, da árvore de Sapoti, das Goiabeiras....
Em um momento, toda uma vida! Sem pudor algum, bem ali,  na minha frente.

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