sexta-feira, 27 de julho de 2018
Alguma peça perto do metrô?
Vendi meu carro há pouco tempo e minha vida mudou.
Agora, como sou praticamente uma reclusa quando necessário, ando de metrô ou uso algum aplicativo de taxi.
Minha vida social se expandiu muito desde então. Vejo e converso com muito mais gente.
Entro no metrô e minha atenção logo se espalha. Tantas figuras impressionantes. Todas me surpreendem. Como chegaram até ali, o que lhes faltou, o que foi demais?
Não consigo evitar minha invasão, mas também, cada um explode sua vida na minha cara sem a menor compostura! Me informam que dormiram pouco, que trabalharam muito, que moram longe ou logo ali, que amam demais, que estão sós como eu, que estão com pressa, com fome, relaxados ainda com a tenra idade enfim, me mostram que estão ali como eu, indo ou vindo da própria existência, preparados ou não, vivendo de sustos ou não... mas estão ali, presentes naquele exato momento declarando suas intimidades em público como eu.
Toda essa vida me atropelada e sempre saio exausta desse buraco de tatú.
É por causa dessa invasão minha e dos outros é que venho escapulindo das pessoas... Acabo sempre toda misturada com todos e aí, socorro!
No Uber apesar do contato um a um, a prosa se resume a uma conversa mais trivial. O melhor trajeto, o transito, o clima... às vezes encontro alguém transbordando mas quase nunca. A solidão dos espaços privados faz isso com as pessoas, reduz sua expansão.
Enfim... por vezes o mais perto é tão mais longe...
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